BARANGA - ROCK AND ROLL DIABÓLICO
17.07.2006

BARANGA

ROCK AND ROLL DIABÓLICO


Tendo em sua formação o lendário baterista Paulão Thomaz (ex-Centúrias, Harppia, Cheap Tequila, Firebox e Güdenläwd) e o guitarrista Deca (ex-Pitbulls On Crack), o vocalista e guitarrista Xande e o baixista Ricardo "Soneca", o paulistano Baranga pratica um Rock And Roll nervoso e muito energético, bem na linha de grupos como Motörhead, AC/DC, Rose Tattoo e Status Quo. O primeiro álbum, auto-intitulado (2001), não obteve grande divulgação, mas agora, de forma mais profissional, a banda vem ganhando cada vez mais espaço para mostrar seu segundo trabalho, Whiskey do Diabo (2005). Confira mais na entrevista a seguir.

BMP: Vocês escolherem fazer um Rock And Roll mais pesado e, normalmente, as bandas que optam por isso, preferem cantar em inglês. Por que vocês escolheram cantar em português e há alguma possibilidade de cantarem em inglês algum dia?
Xande: Sempre achei legal a idéia de se cantar em português para que mais pessoas entendam as idéias e o que se está falando. Também tem o fato de no Brasil muita gente ainda não falar ou entender inglês, mas quanto à possibilidade de se cantar em outros idiomas é bem válido. Quem sabe em espanhol...
Ricardo "Soneca": A opção de cantar em português é óbvia. Nascemos e moramos no Brasil, boa parte da população mal sabe falar português, então para que cantar em inglês? Nada contra cantar em inglês, apenas queremos que as pessoas entendam as bobagens que escrevemos!
Deca: Ao vivo temos recebido elogios e acho que é justamente porque o público entende nossas letras, por ser em português e por abordar temas que não têm nada de poético ou filosófico. Claro que o tipo de som que tocamos ajuda nessa aceitação do público, mas o português é decisivo.
Paulão: Para mim é normal, pois sempre toquei em bandas que compunham em português, menos o Firebox. E a poesia do Baranga me toca profundamente (risos).

BMP: Vocês acham que as bandas que decidem fazer um som Rock pesado cantado em português acabam num limbo? Tipo, muito pesado para ser uma banda de Rock nacional como as outras e enfrentando um certo preconceito dos fãs de estilos mais pesados por cantarem em português?
Xande: Não, de forma alguma. A maior parte das pessoas que conheço acha bem interessante o fato de cantarmos em português, inclusive nossos amigos que tocam som porrada em inglês.
Deca: Acho que não tem limbo, mas sim um espaço a ser aproveitado porque não tem quase ninguém ocupando. A Baranga pode ser um bom recheio! Quanto ao estilo, prefiro não entrar onde já tem um monte de outras bandas fazendo a mesma coisa.
Ricardo "Soneca": Se estamos num limbo é o mesmo das bandas que cantam em inglês, está todo mundo igual. A batalha é a mesma para todos. E se existe preconceito, com certeza é para quem canta em inglês e por parte da grande mídia. Quantas bandas nacionais que cantam em inglês tocam no rádio?
Paulão: Toda banda de Rock que se presa vem do limbo (risos).

BMP: Vocês têm alguma influência de música brasileira para escrever as letras? Ou no caso do Baranga, é Motörhead, AC/DC e Rose Tattoo mesmo?
Ricardo "Soneca": Lógico que temos influência de música brasileira e talvez seja por isso que muitas bandas optam por cantar em inglês, porque falta conhecimento do Rock nacional que começou em 1955 e não nos anos 80 como muita gente acredita. Jovem Guarda, Rita Lee & Tutti Frutti, Made in Brazil, Patrulha do Espaço, Casa das Máquinas, O Peso, Golpe de Estado etc. Mas o conteúdo das nossas letras também nos aproxima do AC/DC, Motörhead, entre outras.

BMP: O nome da banda é muito bem sacado! Quem teve a idéia?
Xande: No começo da banda, já com músicas prontas, faltava um nome claro. Num desses ensaios surgiu uma brincadeira e eu acabei falando para as pessoas que o nome da banda era Baranga e aí ficou e as pessoas gostaram.
Deca: Pensamos em Bagaça e Caranga, mas o primeiro era nome que um amigo do Xande deu a uma outra banda e Caranga é sem graça, parece banda cover de Soft Rock, com uns caras que gostam de brincar de rebelde...

BMP: Vocês poderiam fazer uma comparação entre o álbum de estréia, Baranga, e o novo, Whiskey do Diabo? Vocês acham que Heros Trench - do estúdio Mr. Som e guitarrista do Korzus - conseguiu fazer uma produção ainda melhor e tirou um som de guitarra ainda mais "ardido" e pesado?
Ricardo "Soneca": O disco novo é a continuação de um trabalho. Portanto, está mais uniforme tanto nas composições, quanto no som propriamente dito. Não só o Heros Trench conseguiu fazer melhor, nós também contribuímos para que o som ficasse mais pesado e coeso, não só nas guitarras, mas também no baixo, na batera e na voz.
Deca: De qualquer forma, a produção do Heros Trench nos dois CDs foi decisiva! Tocamos pesado, alto e rápido e só um cara que grava bandas de Metal para poder entender e gravar isso. Para esse segundo trabalho, o Heros se dedicou muito e fez várias versões da master até que ele estivesse realmente satisfeito. Gravar com um produtor "normal", que entende de "roquinhos", Pop e outras babas, acabaria matando tudo e deixaria tudo pequeno e fraco. Tô fora!
Paulão: A banda tem uma pegada forte, todos tocam pesado, portanto, o Heros conseguiu, com talento, transpor isso para o CD.

BMP: Como a banda se formou e conseguiu juntar o lendário baterista Paulão e o guitarrista Deca com o baixista Soneca e o guitarra e vocal Xande? Harppia, Centúrias e Pitbulls On Crack de alguma forma influenciam o Baranga?
Deca: Quando o Pitbulls fez os últimos shows, foi o Ricardo "Soneca" quem tocava o baixo. Eu saí do Pitbulls e ninguém quis continuar a banda. Não acho que a Baranga tenha nada musicalmente das bandas que eu e o Paulão tocamos. A prova disso é a versão que fizemos para Duas Rodas do Centúrias, no primeiro CD da Baranga, que ficou bastante AC/DC.
Soneca: Já tinha tocado com o Xande numa banda de cover anos 70, que o Deca chegou a ensaiar. O Paulão, eu era fã. Quando o Cheap Tequilla acabou, eu e o Xande começamos a fazer jams na casa do Paulão porque ele estava sem banda. Daí chamei o Deca e com a ajuda do Tiguês, que fez a cabeça do Paulão para tentar mais uma vez ter uma banda de música própria, o negócio foi ficando sério e tomando forma.

BMP: Como está a divulgação de Whiskey do Diabo? Está melhor do que a do 'debut'? Vocês acham que é possível uma turnê?
Deca: Digamos que o segundo CD tem divulgação. Fechamos com a Brasil Music Press e tudo está rolando muito bem. Quanto a turnê, acho que rola, mas só no começo de 2006. Estamos fechando com um empresário e estamos animados em tocar no Sul e interior de São Paulo. Lançar disco nessa época é um pouco complicado para uma banda do porte da Baranga agendar uma turnê, porque a molecada está mais preocupada com estudar para vestibular, gastar grana com presente de natal ou viajar.
Ricardo "Soneca": A repercussão tem sido ótima, quem já conhecia gostou pra caralho e quem não conhecia está conhecendo e curtindo! As críticas da mídia especializada também têm sido ótimas. Desta vez estamos investindo mais na divulgação e trabalhando com mais profissionalismo. Montamos um selo, a RNR Records, temos distribuição da Voice Music, estamos com uma assessoria de imprensa e tentando não dever em nada para gravadoras com estrutura maior.O resultado tem sido satisfatório. Quanto a turnês, com certeza no ano que vem devemos sair mais de São Paulo, além do Sul, queremos ir para Brasília, Goiânia e quem sabe algo no Nordeste.

BMP: Quem teve a idéia de tocar O Bom de Eduardo Araújo nas apresentações ao vivo? Alguma outra música da Jovem Guarda que vocês gostariam de tocar?
Ricardo "Soneca": Começamos a tocar O Bom porque em uma bela noite, num ensaio, adentra a sala um cara de chapéu de caubói, botas e fica assistindo a gente tocar Mulher de Pagodeiro... O cara era o próprio Eduardo Araújo! Ele falou que a banda era legal, que tinha dinâmica etc. A gente já tocava Lobo Mau, que é uma versão do Roberto e Erasmo para The Wonderer que o Status Quo gravou. Depois que o cara apareceu no estúdio, começamos a ensaiar O Bom na semana seguinte. A gente toca outras da Jovem Guarda que às vezes entram no set, Eu sou Terrível e Negro Gato. Essas músicas já têm quarenta anos e continuam Rock And Roll!
Xande: Após o ensaio, conversando com o Eduardo Araújo, dissemos a ele que tínhamos vontade de tocar uma musica dele e foi ele mesmo quem falou para tocarmos O Bom, que ele achava ideal para nós.
Deca: Mas sempre como se fosse o AC/DC ou Status Quo fazendo cover deles.
Paulão: Essa época é a melhor fase do Rock And Roll no Brasil. Nada melhor do que darmos uma versão mais porrada para essas músicas.

BMP: Vocês já têm algo pronto para um novo álbum? Podem, de repente, gravar um DVD? O que o futuro reserva para o Baranga?
Deca: Eu já tenho três músicas prontas, o Soneca e o Xande tem uma cada um. Ou seja, já é quase metade de um CD! No segundo semestre de 2006 deve sair o terceiro CD da Baranga. Antes de DVD, vamos fazer nosso primeiro clipe. Estamos fechando com produtor e escolhendo a música, que deve ser o Whiskey do Diabo.
Ricardo "Soneca": Para o próximo CD, queremos regravar Carona, que está na Demo de 2001. Esta música é de uma dupla dos anos 60 chamada Tony (Bizarro) e Frankie (Adriano) e foi gravada como Tony e o Som Colorido. O Bom também está nos planos, mas isto era segredo (risos). O DVD fica mais para frente, pois não gostamos de fazer nada nas coxas e para fazer um DVD com qualidade precisamos de um tempo para organizar uma boa produção. Mas antes de tudo isso, devemos lançar um coletânea pelo nosso selo, com bandas de Rock pesado de São Paulo que cantem em português.

Site: www.barangarock.com.br

Por Carlo Antico, entrevista publicada na revista Roadie Crew, edição # 84

<< VEJA OUTRAS MATÉRIAS NESSA SEÇÃO

DB Webhost