JEFF SCOTT SOTO - Manifesto Bar (2005)
13.11.2005

NADA DE 'UNPLUGGED'!!!

O vocalista norte-americano Jeff Scott Soto e sua banda voltaram aos palcos no dia 13 de novembro (domingo), apenas um dia após a seqüência de apresentações que havia feito no Credicard Hall, em São Paulo (SP), na abertura para o Tribuzy e convidados. Inicialmente o show no Manifesto Bar, também na capital paulista, seria acústico, mas os verdadeiros fãs da carreira do vocalista - desde Yngwie Malmsteen e Talisman, passando por Human Clay, Eyes, Soul Sirkus, Axel Rudi Pell, Takara, Humanimal até o Boogie Nights - foram presenteados com um set normal, extenso e plugado!

A abertura ficou a cargo do projeto Hard Rock de Leandro Caçoilo (Eterna), que tocou covers variados, sendo alguns acústicos. A discotecagem durante o evento ficou a cargo de Carlos Chiaroni (Animal Records, Roadie Crew), que ia agradando os fãs de Hard enquanto Jeff, o guitarrista Howie Simon, o guitarrista/baixista Chris McCarvill e o baterista Dave Dzialak, iam se aquecendo tomando diversos 'drinks', ajustando o som e se preparando para entrar no palco.

O set privilegiou diversos momentos da carreira de Soto, incluindo os álbuns solos - como o mais recente, "Lost In The Translation". Assim como nos dias anteriores a abertura veio com "Living The Life" - uma das músicas da trilha do filme "Rockstar" -, com Jeff no baixo e vocal; seguida por "Eyes Of Love", do álbum solo, "Prism". Depois veio "Warrior", curiosamente um som de Axel Rudi Pell que há anos é tocado na programação mecânica do som do Manifesto Bar. Desta forma, a aceitação foi calorosa. Após a execução desta, Soto falou a respeito do Manifesto Bar: "Eu conhecia o bar antigamente, mas quando vim aqui e vi as novas instalações, resolvi que não faríamos mais o show acústico".

A descontração era tanta que Gabi, a 'barwoman' do Manifesto, quase enlouqueceu preparando as caipirinhas, pedidas a todo instante pelos músicos, que segundo a própria, "bateram o recorde de pedidos" desta bebida tipicamente brasileira. Neste clima de festa e interação total com seus fãs, os músicos seguiram com "New Position", do Soul Sirkus. O guitarrista Howie Simon mostrava sua virtuose, enquanto que o baixista Chris McCarvill e o batera Dave Dzialak mostravam total segurança. O som estava muito bem equalizado e além da competência de André - responsável pela mesa de som do Manifesto -, a banda de Jeff conta em sua equipe com o belga Peter De Wint, ex-vocalista do lendário Crossfire e que passou pelo Ostrogoth, Mystery e Affair. Inclusive, além de comandar a mesa de som como poucos, Peter chegou a fazer alguns 'backing vocals' durante o show.

O set seguiu intenso com "On My Own", do CD solo de Soto "Lost In The Translation" (2004), seguida por "Between The Walls" (Axel Rudi Pell). Aí veio "Stand Up", a mais conhecida da banda fictícia Steel Dragon, da trilha de "Rockstar" - que inclusive tem o seu cover brasileiro contanto com a vocalista Jenifer Pauzner, o baterista Paulão (Baranga) e o guitarrista Tadeu Dias (Cavalar) -, fez a alegria dos presentes, que cantaram e gritaram o quanto puderam. Da mesma forma, Jeff mostrava-se contente e sempre interagindo com os fãs, a não ser por se irritar com seu pedestal que não parava em pé e atrapalhava sua performance. A certo momento Jeff até brincou: "É, tô vendo, é 'made in America'...".

A primeira do Talisman foi a ótima e cheia de 'groove' "Colour My XTC", que antecedeu a tradicional apresentação dos músicos e o solo de Howie. Aí vieram "Soul Divine" e "Drowning" - ambas do "Lost In The Translation" -, "Mysterious (This Time It's Serious)" do Talisman. Jeff então ironicamente entra em cena vestindo a camiseta da boate "Love Story" e toca a tradicional versão de "Crazy" de Seal, que consta no álbum "Life" do Talisman. Outra que também teve participação maciça do público veio a seguir, "I'll Be Wating" (Talisman), onde Jeff brincou fazendo citação a Bon Jovi e que também teve a participação do vocalista BJ (Tempestt, Journey Cover, Fuck Off).

Howie Simon faz seu especial mostrando virtuose em seu solo e aí vem a parte mais Metal com os covers da época de Jeff no Yngwie Malmsteen's Rising Force - "I'm A Viking" e "I'll See The Light Tonight" -, nas quais o vocalista voltou para o baixo, deixando Chris McCarvill novamente na segunda guitarra. A primeira parte do set estava se encerrando e aí foram tocadas "I Want to Take You Higher" - do CD solo "Prism" (2003) -, além de citações a "Smoke On The Water" (Deep Purple), "Run To The Hills" (Iron Maiden", "Fool For Your Lovin'" (Whitesnake) - com Howie no vocal -, "Live Wire" (Mötley Crüe), "Lick It Up" (Kiss), "Stone In Love" e "Separate Ways" (Journey) - com participação de BJ no vocal, que foi saudado pelo próprio Jeff, relembrando o show de 27 de abril de 2002 em São Paulo ao lado do Tempestt.

Para o biss a banda preparou "You Really Got Me" (Kinks, Van Halen), onde Jeff parecia ter incorporado David Lee Roth, fechando com uma 'jam' - com direito a sons do Queen como "Tie Your Mother Down" e "We Will Rock You" -, que contou com participação de vários músicos, incluindo a vocalista Jenifer Pauzner. Depois foi só festa, com um 'medley' que teve clássicos do Rock e da Disco Music, que Jeff está acostumado a tocar por ter o projeto Boogie Night. O 'performer' trajava a camisa da seleção brasileira com seu nome nas costas e mandou ver trechos de "Macho Man" do Village People, "Another One Bites The Dust" (Queen)/ "Ice Ice Baby" (Vannila Ice) e "Stayin’ Alive" dos Bee Gees. O público mandava ver com seus "olê, olê, olê... Jeff, Jeff" e assim a banda encerrou o show e os músicos voltaram para as suas caipirinhas no camarim e depois foram falar com os fãs. Quem esperava por um show intimista com violões se surpreendeu e passou uma noite memorável de domingo no Manifesto Bar.

Por: Ricardo Batalha / Fotos: Claudia Christo


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