ScarsThe Nether Hell
Na seção "auto-review", o músico comenta separadamente faixa por faixa do álbum, abordando técnica, estilo e temática... André Sterzza, baixista do Scars, fala sobre o EP "The Nether Hell".
Creatures that come Alive in the Dark: "Essa musica é a pura essência do Thrash Metal técnico e rápido, ela possui riffs bem elaborados e podemos dizer até um tanto complexos na medida certa. Fica evidente nela o lado mais técnico do grupo, ela é forte e na cara. Podemos dizer que ela é o cartão de visita do Scars, pois nela esta toda a personalidade da banda, por isso a escolhemos para abrir o CD e nossos shows. Sua letra pode ser interpretada de várias maneiras dependendo do ponto de vista do ouvinte, mas a idéia principal gira em torno do medo, culpa ou sentimentos indesejáveis que guardamos dentro de nós e que a noite quando tentamos esquecer os problemas do cotidiano, como se fossem verdadeiras criaturas eles ganham vida podendo nos levar a fazer coisas estúpidas, mesmo sendo contra nossa vontade".
Warfare: "Outra música com um perfil totalmente Thrash. Porém, diferente da Creatures, ela nos remete a uma vertente um pouco mais “simples” do Thrash Metal, mostrando uma forte influência das bandas das décadas de 80 e 90 como, por exemplo, o Nuclear Assault. Ela é a menor música do EP, mas uma das mais intensas sem duvida. Nela é retratada de uma forma clara e objetiva a sujeira e podridão que rola num suposto preparativo que antecede a uma guerra, a ganância pelo poder, a fome de destruição e a dor premeditada que é causada pelos tiranos que nos governam".
Nether Hell: "Podemos dizer que essa música é uma obra que engloba todo o conceito do Scars abordado desde seu retorno as atividades com o trabalho 'The Nether Hell', pois sendo ela a faixa-título e conseqüentemente a música mais longa do EP, suas passagens variadas, suas melodias e tanto as partes com pegadas mais rápidas como também as mais cadenciadas, refletem bem o ideal do nosso trabalho passando ao ouvinte a idéia de que ele realmente esta em uma viagem pelo inferno. Totalmente baseada na temática da obra literária do poeta italiano Dante Alighieri (1265-1321), 'O Inferno', de 1310, o assunto é abordado em sua letra de forma comparativa com os dias atuais em que vivemos, a sede por dinheiro e poder, o temor a Deus, guerras religiosas, inveja, blasfêmia, falsos profetas e ideologias, ou seja, todas as variáveis possíveis da perversão que vemos e vivenciamos no nosso dia-a-dia".
Legions (Forgotten by the Gods): "Com um início bem cadenciado, ela se torna um rapidíssimo petardo Thrash recheada com elementos do Death Metal, já ficando evidente em seus riffs matadores que o Scars apesar de ser uma banda tipicamente Thrash agrega em suas canções outros segmentos da música extrema, deixando que as inspirações de seus músicos fluam de forma natural em suas composições. A letra baseia-se nos povos que desde o inicio da civilização humana brigam e matam por suas hipócritas religiões e crenças jamais chegando a um ponto em comum, dentro a isso mal sabem eles que essas guerras são em vão, pois Deus na verdade não da importância as suas causas, sendo todas elas verdadeiras legiões abandonadas pelos seus próprios Deuses".
Return to the Killing Ground: "Pesada e direta, é a musica que mantém uma linha mais calcada na velha pegada Thrash. Os riffs bem definidos da base do vocal permitem que a voz conduza a música em um ritmo constante e cadenciado, caracterizada também por um refrão marcante que com uma arquitetura bem elaborada de suas bases, se torna uma música que agita bastante a galera e também muito legal de se tocar. Como o próprio nome diz 'Retorno ao campo da matança', essa música vivencia um período pós-guerra onde retrata a visão de uma jovem criança retornando a um lugar onde uma vez já foi seu lar, então ela se depara com a destruição de sua vida não tendo mais sua casa e seus familiares, narrando assim tudo aquilo que seus olhos estão testemunhando".
Hidden roots of Evil: "Sem dúvida, a mais extrema do álbum. Nela, fica mais uma vez evidente a versatilidade da banda, onde fomos ainda mais longe chegando até mesmo a esbarrar nas fronteiras do Black Metal sem perder, é claro, a identidade Thrash do Scars. A agressividade do vocal se destaca junto ao peso e a velocidade dos riffs principais, onde também na seqüência podemos destacar seu forte refrão variando entre uma breve melodia e novamente voltando a uma velocidade brutal, praticamente não dando tempo para o ouvinte respirar. Sua letra é agressiva e polêmica, onde procuramos ressaltar tudo aquilo de obscuro que rege as religiões e igrejas, independente da época, credo ou o Deus que cultuam. Todas as manobras, profanações e bestialidades cometidas pela igreja em tempos remotos e que sem sombra de duvida ainda acontecem em nossa atualidade, certamente essas são as verdadeiras raízes ocultas do mal".
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